Após anos de resistência, irei finalmente entrar na Praça de Touros do Campo Pequeno. Espero abstrair-me do facto de estar numa arena e conseguir aproveitar o “encontro histórico”: Sérgio Godinho, José Mário Branco e Fausto, juntos num concerto.
Já há muito tempo que a gestão do tempo não era tão difícil. Consequentemente, este lado esquerdo tem andando parado e assim deverá continuar. Não é mau sinal, significa apenas que outras coisas estão em curso. Por agora a prioridade é adaptar-me à nova rotina. Tenho aulas quatro dias por semana, uma carga horária quase semelhante a de uma licenciatura, e profs que insistem em falar na excelência desta empreitada. Tremo quando penso nos trabalhos e leituras que já se vão acumulando, mas ao mesmo tempo sinto-me realizada e preenchida.
Há dois anos comecei a trabalhar aqui. O balanço é positivo e congratulo-me com a minha própria resistência: não me tornei crente, nem enlouqueci. Não sucumbi às duas áreas dominantes desta casa e continuo a aprender a lidar com elas: a religião e a saúde mental.
No decorrer deste ano, é provável que sucumba à segunda, as aulas já começaram e pouco tempo tenho para respirar.